31 julho, 2007

Dando voltas para dizer que: deu!

Eu sou uma ferrenha defensora do não voltar. Sei que há casos em que voltar parece uma coisa necessária, em outros é coisa que parece confortável, em outros casos voltar parece ser a única saída (engano, geralmente a história de única saída é um caso comum de fuga ou de fingimento). Voltar é uma ação contrária ao ato de viver que, ao meu ver, só tem a direção de ida: em frente, nunca para trás. Quando a gente sai do útero é pra nunca mais. Quando se entra na vida é para ir por ela até a porta de saída. Não adianta querer dizer na cara da morte: "Não, eu não vou mais, dá licença que eu vou voltar". Mas, há momentos em que tentamos voltar para algo. E, talvez, sejam esses os momentos em que se perceba que nunca se volta verdadeiramente.

Eu pensei muito e por muito tempo em voltar para minha cidade nos dias em que mudei para outra onde fui perfeitamente infeliz. Sim, há infelicidade perfeita. E, evidentemente, pensar em voltar para o lugar de onde eu tinha saído fez com que eu alimentasse a idéia de que havia mesmo um lugar de volta. Só descobri que não havia quando finalmente eu voltei. Porque não se volta para o lugar de onde se partiu. O lugar muda e mudam as pessoas, as esquinas, o tempo e principalmente quem saiu dele. Estar de volta ao que não era mais pode ser mais doloroso do que o desejo de voltar, ainda que seja um bom aprendizado sobre como se caminha. Para frente. Antes disso, na adolescência eu já tinha percebido que sair da casa de minha família era um ato definitivo. Aconteceu o mesmo com os lugares onde trabalhei. O mesmo com namorados e o casamento. O mesmo com as cidades e lugares por onde passei. Porque é hoje a vida. O ontem fica dentro do hoje; o amanhã ainda não existe e quando acontecer vai se abrir para o novo, nunca para o que foi. Voltar é um verbo contraditório para mim. Porque a idéia de volta pressupõe a permanência do que morre. E o tempo morre a cada minuto. Não há volta.

Quando ouço histórias de voltas dos amigos e conhecidos me sinto inquieta. Ninguém volta para um casamento; mas meus pais acham que voltaram, Elizabeth Taylor também achava e mais um punhado de amigos. Uma pessoa que recebe da ex-empresa uma proposta de volta e aceita faz eu me perguntar para o quê exatamente ela está voltando. Eu não consigo voltar para mim, para a pessoa que eu fui há dez anos (e deus-me-livre! nem quero!). E eu não gosto da idéia de voltar. Talvez porque eu admita a inexistência da coisa, talvez porque eu confesse a minha inaptidão completa e absoluta.

Tudo isso pra dizer que eu não estou voltando ao antigo blog que chamei de Clandestina.

Preciso dizer que eu fiquei sem alternativa depois das mudanças no Blogspot. Com medo do que poderia acontecer ao meu "templante livre", migrei para o Wordpress e não gostei das limitações impostas. Refazer novo blog dentro dos moldes do novo Blogspot também me deixa totalmente sem liberdade. Nunca mais será como antes (ra-ra-ra), foi o que constatei nesses quatro meses de experiência com o Wordpress e tentativas de me entender com o Blogspot. Mas aquele meu "template livre" continuou livre porque eu tive a feliz prudência de não deletar o blog antigo. Eu não sei se esta situação vai permanecer assim, mas se o povo do Blogspot não me colocar contra a parede para fazer a migração dentro dos limites pré-determinados, então ainda me parece o único lugar possível para o desejável recomeço. Não de volta. Mas de novo.

Estou precisando de um nome para o novo. Alguma sugestão?