21 janeiro, 2007

Passado a limpo

Encontrei um velho amigo. Não sei há quantos séculos nós não nos falávamos. Ele me disse: Ro, eu ainda guardo suas cartas. Eu respondi em duas parcelas:

1) Não sou mais Ro.
2) Jogue fora as cartas!

Fiquei pensando sobre essas tantas missivas que eu andei espalhando pelo mundo. Rezo pelo bom senso dos meus interlocutores. Que joguem fora meus nomes todos, meus endereços, minhas inconstâncias. Tenho vergonha dos cestos de lixo que me sabem em pedaços imprestáveis.

Mas é verdade que eu também guardo coisas. Não tudo. Fogueiras de papel também precisam de alimento. Ao remexer em folhas amareladas, faço exercícios de primavera. Vontade de abrir janelas e ventilar a casa. Abrir persianas, cortinas, envelopes, botões e risos. Recortar pedaços de cartas. Inaugurar uma coleção de partículas. Sem mais nome nem endereço no momento em que o fogo sente piedade das palavras.

*falo sério, encontrei isto e me pergunto se pode ser chamado de lixo reciclável.