24 dezembro, 2006

PAISAGEM JAPONESA PARA AGUIRRE

Pensei nos ventos frios
que sopram
da Sibéria enrolando-se
em seu pescoço, na pesca do salmão e
na corrida da raposa fugindo do seu covil
rumo à plantação de batatas; mas

aqui,
neste quase morro da Lopes Quintas,
com pedregulhos ao fundo,
você pousa agora um jarro sobre a mesa

e é quase como se pousássemos também
nossas vidas sobre tudo isso
e sorríssemos;
           pode ser a coisa
mais simples, como
a taça de café que aquece agora
as palmas nossas

mãos (“ó doce hebréia”) e cheira bem;

além, o jóquei iluminado, a lagoa
que nos veste como camisa ensopada;
olhamos a lua,

amamos o mar.


Carlito Azevedo In: Sublunar. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2006, p. 37