Foi sem pensar. Porque dizer coisas a respeito de si mesmo exige pensar diferente. Passar o grosso por um filtro e deixar escapar apenas preciosidades. Eu tive preguiça. Eram dias de minha impaciência. Eu tinha pressa de estar, não de dizer. Talvez eu estivesse com pressa de não me dizer. Apenas deixar lacunas: preencha você. Se quiser. Fiz assim. Catei uma única gota que passou pelo filtro rígido: sou uma formiguinha. Pronto.
Só depois é que a definição me pegou pelo pé. Muitos pontos de interrogação atrás da minha intenção de ponto final. Sou o quê? Uma formiguinha. Por quê? Porque sou pequena, insignificante. Não é? Não, não é. Tente de novo. Sou uma formiguinha porque tudo é enorme e eu fico no cantinho fazendo um caminho de vai-e-vem, ida-e-volta, repetições. Não é? Não. Tem mais. Aumente os orifícios do filtro. Sou rápida, entro e saio sem que percebam, sou boa operária, eficiente e silenciosa. Formigas não falam muito. Mas incomodam. Por que incomodam? Porque penetram onde não se espera, são sábias e engenhosas. Então o filtro diz assim: formiga, criatura aparentemente pequena e insignificante diante das construções e seres enormes, um minúsculo ser que escreve caminhos pelos cantos, operária ágil e perturbadora, eficiente em penetração e construções de pontes, silenciosamente sábia. Ficou bom assim? É, digamos que algumas preciosidades passaram pelo filtro menos rígido. Mas é bom não esquecer uma coisa importante: formiga precisa do plural. Sua aparente insignificância acaba no coletivo.
Eu sou uma formiguinha a caminho do formigueiro.
Só depois é que a definição me pegou pelo pé. Muitos pontos de interrogação atrás da minha intenção de ponto final. Sou o quê? Uma formiguinha. Por quê? Porque sou pequena, insignificante. Não é? Não, não é. Tente de novo. Sou uma formiguinha porque tudo é enorme e eu fico no cantinho fazendo um caminho de vai-e-vem, ida-e-volta, repetições. Não é? Não. Tem mais. Aumente os orifícios do filtro. Sou rápida, entro e saio sem que percebam, sou boa operária, eficiente e silenciosa. Formigas não falam muito. Mas incomodam. Por que incomodam? Porque penetram onde não se espera, são sábias e engenhosas. Então o filtro diz assim: formiga, criatura aparentemente pequena e insignificante diante das construções e seres enormes, um minúsculo ser que escreve caminhos pelos cantos, operária ágil e perturbadora, eficiente em penetração e construções de pontes, silenciosamente sábia. Ficou bom assim? É, digamos que algumas preciosidades passaram pelo filtro menos rígido. Mas é bom não esquecer uma coisa importante: formiga precisa do plural. Sua aparente insignificância acaba no coletivo.
Eu sou uma formiguinha a caminho do formigueiro.
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